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<DIV align=center><STRONG><FONT size=4><U>boletín solidario de
información</U><BR><FONT color=#800000 size=5>Correspondencia de Prensa</FONT>
<BR><U>12 de enero 2009</U><BR><FONT color=#800000 size=5>Colectivo Militante -
Agenda Radical</FONT><BR>Gaboto 1305 - Montevideo - Uruguay<BR>redacción y
suscripciones: </FONT></STRONG><A
href="mailto:germain5@chasque.net"><STRONG><FONT
size=4>germain5@chasque.net</FONT></STRONG></A></DIV>
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<HR>
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<DIV align=justify><STRONG><FONT size=3>Entrevista a Plinio Arruda
Sampaio</FONT></STRONG></DIV>
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<DIV align=justify><STRONG><FONT size=3>“O Psol é um partido socialista e a
Marina não é socialista”</FONT><BR><BR><BR>Hamilton Octavio de Souza e Tatiana
Merlino <BR></STRONG></FONT><FONT face=Arial size=2><STRONG>Revista Caros
Amigos</STRONG></FONT></DIV>
<DIV align=justify><FONT face=Arial size=2><A
href="http://carosamigos.terra.com.br/"><STRONG>http://carosamigos.terra.com.br/</STRONG></A><BR></DIV></FONT>
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<DIV align=justify><FONT face=Arial size=2></FONT> </DIV>
<DIV align=justify><FONT face=Arial size=2>A partir deste mês, a Caros Amigos
inicia um debate sobre o que está em jogo nas eleições presidenciais de 2010.
Entrevistas, análises e artigos discutirão as propostas e programas das
candidaturas do campo democrático e popular. A primeira entrevista da série
“Eleições 2010” é com o advogado e presidente da Associação Brasileira de
Reforma Agrária (Abra), Plínio Arruda Sampaio, pré-candidato à presidência da
República pelo Psol.<BR><BR>O partido está dividido em relação à candidatura ao
principal posto do Executivo. Parte do Psol defende a candidatura própria e
apoia o nome de Plínio. Outra é favorável a uma aliança com o PV em torno da
candidatura da senadora Marina Silva (PV-AC). A aproximação do PSOL com o PV
aconteceu porque a ex-senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) descartou a
possibilidade de concorrer às eleições presidenciais para tentar voltar ao
Senado.<BR> <BR><STRONG>Caros Amigos – Qual a importância do Psol se
lançar com uma candidatura própria?</STRONG><BR><BR>Plínio Arruda Sampaio – A
importância está estreitamente relacionada com o objetivo da burguesia em
relação a esse processo eleitoral. Há um script montado para essa campanha, para
fazê-la de uma maneira suave, morna, fazer da discussão apenas uma coisa técnica
e fugir dos verdadeiros problemas e das verdadeiras soluções. Há um processo de
distorção do processo eleitoral para que ele não debata nada. E é fundamental
desfazer essa farsa, é fundamental que exista uma voz capaz de dizer: “olha,
isto aí foge da realidade, não é uma visão real do que está acontecendo no
Brasil”. Qual é a dificuldade e a necessidade disso? É que toda a realidade
social tem dois planos. Um plano é o da superfície dos eventos, onde estão
acontecendo as coisas. E há um plano embaixo, onde estão os processos, as
tendências. Esse não se vê sem instrumentos de análise. Em cima, na superfície,
as coisas melhoraram para o homem simples do povo porque o Lula é menos perverso
do que o Fernando Henrique, ele tira menos dos pobres. E porque a conjuntura
externa favorece a entrada de capitais aqui. Então, como há uma entrada enorme
de capitais, pode se remunerar a burguesia com tudo que ela quer, e sobrar umas
migalhas para soltar para o povo. As Casas Bahia estão vendendo, tem lan house
em tudo quanto é lugar da periferia, o pobre está começando a ter automóvel
porque há uma produção brutal da indústria automobilística e os usados caem na
mão dos mais pobres por um preço razoável. Mas o ritmo da melhoria é tão lento
que não sei quando vamos deixar de ter pobre na rua. E, dados os processos que
acontecem embaixo, provavelmente essa melhoria acaba logo adiante. O primeiro
problema econômico que tiver, essa melhoria vai para o buraco.<BR><BR>O que está
acontecendo embaixo é grave, porque o preço dessa aparente abonança superficial
é a entrega do país, o aprofundamento de processos gravíssimos, como a educação,
que está sucateada, a escola que não ensina, a saúde está uma desgraça. O quadro
social está ficando impossível. Há zonas do Rio de Janeiro em que não há mais
soberania do Estado brasileiro, é o bandido que manda lá. Na periferia daqui de
São Paulo é a mesma coisa. Há um processo perverso embaixo, que afeta a moral do
povo, essa ideia de que não tem solução. É preciso que isso venha à tona. A
campanha é exatamente para isso, para denunciar essa farsa e propor soluções
reais. Essa é uma campanha socialista na medida em que aponta as soluções reais,
com um programa anti-capitalista. São questões que geram indagações sobre a
viabilidade do capitalismo e colocam concretamente a questão do socialismo.
<BR><BR><STRONG>E quais seriam as consequências para o partido caso o Psol
apoiasse a Marina Silva?</STRONG><BR><BR>Seria a negação do Psol, porque esse é
um partido socialista e a Marina não é socialista. O PV é um partido do governo.
A Marina cria uma dificuldade enorme de palanque para a nossa gente. Como é que
você sobe num palanque junto com um cidadão que apoia um governo que nós
combatemos dia e noite? O problema da Marina é o seguinte: ela levantou uma
questão muito importante, tornou-se um símbolo disso, mas ela perdeu o timing da
demissão. O político precisa saber assumir um cargo e se demitir desse cargo.
Ela demorou demais e teve que engolir coisas que não são aceitáveis: ela assinou
o decreto dos transgênicos, assinou o decreto que libera as florestas, ela foi
contra o Dom Cappio, ela apoia a transposição do São Francisco. A contrariedade
à transposição do rio São Francisco é ponto do nosso programa. Como é que nós
podemos ter uma candidata que tem pontos contrários ao nosso programa? Por isso
há uma reação muito forte na base do partido contra a candidatura Marina. E
nessas alturas, dificilmente ela passará. <BR><BR><STRONG>E por que o senhor é o
nome ideal para candidato do partido?</STRONG><BR><BR>Não sou eu quem acha,
acharam. Vários grupos vieram me procurar, sobretudo por algumas
características: eu tenho uma linha de coerência há muito tempo sobre essas
coisas todas. Segundo, eu tenho uma possibilidade de unidade da esquerda muito
grande porque tenho um diálogo muito bom com as outras forças socialistas. Aí eu
fui procurado por pessoas do Psol e autorizei a usar o meu nome. Eu tenho uma
história em todos esses campos, como na reforma agrária. Eu posso, tenho
condições objetivas para fazer essa campanha de denúncia da farsa e de
proposição do avanço. É uma campanha para o futuro. Não é uma campanha
saudosista nem moralista. É uma campanha ideológica no sentido bom da palavra,
de que ela se funda em valores do socialismo, mas é concreta para colocar os
problemas e as soluções de hoje. Por exemplo, o nosso programa diz “reforma
agrária anti-latifundiária”. É uma formulação genérica. O que eu penso que
deveríamos fazer na nossa campanha é pegar essa formulação genérica e ir falar
com o MST. “Como é que vocês estão vendo a questão agrária, e qual é a solução
que vocês vêm?”. São várias, tem que melhorar o crédito, aumentar o programa de
compras antecipadas, melhorar assistência técnica e dar uma forte radicalizada,
o movimento social, não nós. O MST junto com a CNBB e vários movimentos do campo
estão fazendo uma campanha para que ninguém possa ter mais do que 1500 hectares
de terra no Brasil. Isso é revolucionário, mas não tem nada de socialista, isso
é capitalismo. Só que é anti-capitalista no sentido de que o capitalismo não
suporta isso. Esse é o tipo de trabalho que temos que fazer para apresentar o
programa do partido. <BR><BR><STRONG>Como tem sido o apoio interno dentro do
Psol à sua pré-candidatura?</STRONG><BR><BR>O Psol tem umas três correntes
majoritárias que são muito fortes e uma série de outras correntes pequenas. As
menores praticamente estão todas comigo, e as maiores estão divididas. As
cúpulas favorecem uma candidatura mais ampla e as bases querem uma candidatura
mais nítida. Então, nesse momento, o grande problema é discutir qual é a tática.
Acho até que eles tem certa razão, sem dúvida o partido precisa eleger deputados
para que o povo tenha uma voz no Congresso e para ter um mínimo de representação
institucional necessária para existir. É legítima a preocupação, mas é
equivocada no seguinte sentido: este é um valor, mas há outro valor, que é a
imagem do partido. Que é a esperança que o partido traz. Se ele se coliga com
figuras que o povo está rejeitando, vão perguntar: “mas então, que partido é
esse?”. Eu acho que esse é o primeiro equívoco. O segundo é: esta ideia de que
uma campanha mais nítida não traz votos é equivocada. Você pode ter uma campanha
nítida e eleger representantes, e essa é uma das minhas preocupações. Eu
organizarei a a campanha não só para dar esse recado maior, mais amplo, mas
também para favorecer a eleição de deputados, mas sem abrir mão da nitidez da
imagem do partido, da nitidez do programa. <BR><BR><STRONG>Se o Psol se diluir
agora não haverá nenhuma força socialista na disputa?</STRONG><BR><BR>Nada, além
do que isso provocará uma dispersão da esquerda e aí três candidatinhos com
muito pouco voto não resolvem nada.<BR><BR><STRONG>Quais seriam as alianças que
estariam dentro desse campo e que permitiriam uma disputa sem essa perda de
imagem?</STRONG><BR><BR>Esse é um ponto a favor da minha pré candidatura. É a
unidade das esquerdas. Se eu for candidato, é quase certo que marcharemos unidos
os três, Psol, PCB e PSTU. Eles já lançaram candidatos, mas isso é normal e
também não é uma coisa final. Uma vez acertada a minha candidatura, vamos fazer
a unidade da esquerda. Se dirá que os três são fracos, mas dispersos são mais
fracos, e juntos têm uma certa sinergia. E depois tem os movimentos populares,
que também estão divididos. A divisão é um traço da época, que é de incerteza
muito forte. Todo mundo está inseguro, o pobre, a classe média e o rico. Na era
de incerteza é normal que um grupo vá para cá e o outro vá para lá…É normal que
MST, CPT, MAB, MPA estejam divididos. Mas eu tenho a impressão que se tivermos
uma candidatura unitária da esquerda, no primeiro turno esse grupo estará
fechado conosco. No segundo turno, provavelmente tomarão posições eventualmente
distintas. Isso se não formos para o segundo turno, o que é bem provável.
<BR><BR><STRONG>O discurso do PT dessa ampla frente que está no governo é o da
luta contra o retrocesso, representado pelo PSDB, pelo DEM, o grupo que já
esteve no governo e já demonstrou ser pior do que esse. Como entrar no
contraponto desse discurso, que é muito forte?</STRONG><BR><BR>É o discurso do
mau menor, que é um discurso circular. Você não vai adiante de jeito nenhum com
esse discurso, apenas reduz a perda, coisa que também tem um fundamento
sociológico profundo. Toda vez que uma nação sofre um golpe muito grande, para a
geração seguinte é terrível. Na primeira guerra na França, a geração que se
seguiu não tinha filhos. Ela se fechou, não procriava de medo do filho ir para a
guerra. A geração espanhola que viveu a guerra da Espanha, enquanto o Franco não
morria, morria de medo, não fazia nada. É preciso apontar um futuro, trazer
ânimo. Por isso que a campanha nítida é importante. Ela é uma campanha que pode
ser feita com vistas a uma afirmação muito forte de coragem, coerência e de
apontar um futuro mesmo, dizer: “não fiquem com essa coisinha de reduzir o
prejuízo. Pensa grande, vai para a frente”. É uma campanha que pode atingir
muito a juventude, pela sua própria idade, configuração, ela vê o futuro. Essa é
a estratégia que eu pretendo usar se for candidato.<BR> <BR><STRONG>E
quais seriam as principais diferenças da política programática do Psol com uma
candidatura única e do Psol apoiando a Marina?</STRONG><BR><BR>Como é que nós
vamos falar no transgênico, como é que vamos falar na transposição? Ela assinou
tudo. Tudo que nós contestamos ela assinou. Então é uma dificuldade enorme e por
isso que a base do partido está dizendo “não, isso não é possível”. Somos um
partido socialista. A base do partido quer a afirmação do nosso projeto. E essa
seria uma campanha de um outro projeto, que não é o nosso.<BR><BR><STRONG>Como o
senhor avalia o Psol hoje, depois de sete anos de existência?</STRONG><BR><BR>O
Psol é uma força. Há no país uma porcentagem relativamente pequena de pessoas
que não aceitam o que está acontecendo, com valores distintos, mas de maneira
geral, com valores sociais, coletivos, visão de nação, de coesão nacional. Em
várias camadas sociais. Esse pessoal é naturalmente Psol. Porque os outros dois
partidos à esquerda tem uma penetração, mas uma forma de atuar muito mais
estrita, de modo que caminham mais lentamente. O Psol é um pouco o desaguadouro,
naturalmente. Mas o Psol precisa –e essa campanha é importantíssima para isso –
nuclear e organizar esses setores dispersos para começar uma caminhada. Ninguém
tem grandes ilusões de que nós temos condições de muito sucesso a curto prazo.
Isso é uma ilusão. A derrota sofrida pelo povo foi imensa. Nós estamos juntando
os cacos para recomeçar.<BR> <BR><STRONG>Um apoio à candidatura da Marina,
que está num partido que não é de esquerda não seria uma derrota para um partido
que se afirma socialista?</STRONG><BR><BR>É isso que eu estou dizendo para o
pessoal. Isso não é uma avanço, é uma acomodação. E o partido socialista não se
acomoda. A característica do socialista é a não acomodação a qualquer
coisa. <BR><BR><STRONG>É pegar o ônibus
errado…</STRONG><BR><BR>Exatamente, vai para outro bairro. A ideia é essa,
fundamentalmente. Chegar, ouvir os movimentos populares, fazer um programa
sólido, é um programa ainda com base na sociedade de produção de mercadorias,
porém esticando essa realidade e criando uma dinâmica de transformação social.
<BR><BR><STRONG>Qual é o seu calendário para os próximos
meses?</STRONG><BR><BR>Eu vou correr o país, é uma pré candidatura. O país todo
está me chamando para fazer reuniões, pequenos núcleos que nós temos. Segundo,
estou montando um forte esquema de internet porque nessa campanha a Internet vai
dar um grande passo.
<HR>
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