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<DIV align=center><FONT size=4><STRONG><U>boletín solidario de
información</U><BR><FONT color=#800000 size=5>Correspondencia de
Prensa</FONT><BR><U>11 de mayo 2011</U><BR><FONT color=#800000 size=5>Colectivo
Militante - Agenda Radical</FONT><BR>Gaboto 1305 - Montevideo -
Uruguay<BR>redacción y suscripciones: <A
title="mailto:germain5@chasque.net CTRL + clic para seguir el vínculo"
href="mailto:germain5@chasque.net">germain5@chasque.net</A></STRONG></FONT><A
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href="mailto:germain5@chasque.net"><FONT size=4><STRONG
title="mailto:germain5@chasque.net CTRL + clic para seguir el vínculo"></STRONG></FONT></A></DIV>
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<DIV align=justify><STRONG><FONT size=3>Brasil </FONT></STRONG></FONT></DIV>
<DIV align=justify><FONT face=Arial><STRONG></STRONG></FONT> </DIV>
<DIV align=justify><FONT face=Arial><STRONG>Um censo, dois brasis, vários
problemas <BR><BR>Não há nada a se comemorar dos resultados recém divulgados do
Censo 2010</STRONG></FONT></DIV>
<DIV><FONT face=Arial><STRONG></STRONG></FONT> </DIV>
<DIV><FONT size=2 face=Arial><STRONG><FONT size=3>Um abismo de
classe</FONT></STRONG></DIV>
<DIV align=justify><FONT size=3 face=Calibri></FONT><BR><BR><STRONG>Wilson H.
Silva *<BR>Opinião Socialista <BR><A
href="http://www.pstu.org.br/">http://www.pstu.org.br/</A></STRONG><A
title="http://www.pstu.org.br/ CTRL + clic para seguir el vínculo"
href="http://www.pstu.org.br/"><STRONG
title="http://www.pstu.org.br/ CTRL + clic para seguir el vínculo"></STRONG></A></DIV>
<DIV align=justify><BR><BR>Os primeiros dados do Censo 2010 foram publicados na
semana passada, revelando que o Brasil tem uma população oficial de 190.755.799
pessoas. De imediato, a informação que causou mais impacto foi a constatação de
algo há muito conhecido, apesar de sempre negado: o Brasil é um país de maioria
não-branca.<BR><BR>Contudo, para além do tema racial, o Censo revelou uma série
de outras contradições que merecem ao menos serem citadas e comentadas sob uma
perspectiva diferente da maioria que tem circulado pela grande mídia, onde
analistas burgueses, membros do governo e setores dos movimentos sociais
alinhados com o lulismo têm usado e abusado dos dados para se vangloriarem dos
supostos feitos e avanços sociais da Frente Popular. <BR><BR>Antes de mais nada,
é sempre bom lembrar que, quando nos referimos a pesquisas, números e
estatísticas - para além das sempre possíveis manipulações - estamos num campo
fértil para todo e qualquer tipo de interpretação, a começar pelos parâmetros de
comparação. <BR><BR>Enquanto estava no governo, Lula nos cansou com discursos
iniciados com a frase "nunca houve antes na história...", para enfatizar os
"avanços" de seu governo. Como toda frase de efeito, contudo, esta também só
serve para mascarar realidades muito mais complexas. <BR><BR>Primeiro, porque,
para um governo que se diz representante dos interesses do povo, não deveria
haver muito o que se comemorar com a constatação das tímidas melhorias nas
estáticas que revelam as condições de vida dos brasileiros em relação à história
recente, marcada por uma ditadura, um presidente ladrão e seguidas
administrações tucanas.<BR><BR>Segundo, porque a principal constatação do Censo
é aquela que realmente revela o caráter do governo de Frente Popular, iniciado
por Lula e continuado por Dilma: a manutenção dos privilégios de um punhado de
burgueses, em detrimento da existência de milhões de miseráveis e despossuídos.
<BR><BR>E por isso mesmo, o dado mais importante constatado pelo Censo (e que
determina e relativiza todos os demais) é um dos que menos tem sido ressaltado
pela grande mídia e seus analistas: independentemente de qualquer "avanço
pontual" nos índices sociais, existem, rigorosamente, "dois brasis", separados
pela enorme abismo criado pela sociedade de classes.<BR><BR><STRONG>Um abismo de
classe</STRONG></DIV>
<DIV align=justify><BR>Exemplos disto não faltam, mas o mais escandaloso deles é
o que revela que enquanto nada menos do que 60,5% das famílias brasileiras (ou
seja, 34,7 milhões de domicílios) sobrevivem com até um salário mínimo per
capita (ou seja, por membro da família), em 5,1% das casas cada um dos membros
da família tem à sua disposição, por mês, mais de cinco salários (ou seja, no
mínimo R$ 2.725, levando-se em consideração o atual salário mínimo, de R$
545)<BR><BR>É verdade que a porcentagem das famílias que vivem abaixo da linha
do já miserável salário mínimo diminuiu desde o último Censo, em 2000. Hoje a
maioria está na faixa que tem renda per capita entre meio e dois salários
mínimos (50,1% das famílias). E é isto que tem sido festejado por Dilma e pelos
analistas burgueses como prova conclusiva do "milagre da nova classe
média".<BR><BR>No entanto, como é sempre bom desconfiar de "milagres", o fato
mais importante é que, além da tal redução ter sido de pífios 6,1%, ela só pode
ser compreendida levando-se em consideração que, do outro lado do abismo, o
mesmo punhado de endinheirados de sempre continua muitíssimo bem, e
intocado.<BR><BR>Há dez anos, no início do governo Lula, as famílias que
ganhavam de três a cinco salários mínimos per capita correspondiam a 5,1% da
população. Em 2010, este grupo cresceu para 5,3%. Já no topo da pirâmide, nas
famílias com renda per capita maior do que cinco salários mínimos, o abalo foi
mínimo: em 2000, elas eram 5,2% da população; agora equivalem a apenas 5.1% das
famílias brasileiras.<BR><BR>Essa enorme concentração da renda ainda esconde
realidades ainda mais cruéis. Este é um país onde 4,3% das famílias vivem sem
rendimento algum. Isso significa dizer que nada menos do que em 2,4 milhões de
lares a sobrevivência depende exclusivamente de doações ou "bicos". <BR><BR>E
mais: nas regiões historicamente mais pobres, o tamanho do abismo é ainda maior.
No Nordeste, o percentual de famílias que vivem com renda per capita inferior a
um mínino é de impressionantes 80,3%; no Norte, 75,2%. <BR><BR><STRONG>A
desigualdade social em números</STRONG></DIV>
<DIV align=justify><BR>Todos os demais dados do Censo devem ser interpretados a
partir dessa realidade. Algo que está evidente até mesmo para aqueles que
ressaltam os avanços que ocorreram na última década, como o economista e
sociólogo da Universidade de Brasília Marcelo Medeiros, que em entrevista para o
jornal "O Globo", de 30 de abril, ressaltou: "Apesar da melhora no mercado de
trabalho e da queda da desigualdade, não houve uma mudança na estrutura.
Continuamos com uma grande massa de população de baixa renda, separando-se de
uma pequena elite muito rica".<BR><BR>E é dentro desta grande massa que a
miséria e as condições de vida literalmente desumanas ficam evidente em
indicadores alarmantes, como os seguintes:<BR><BR>Metade das casas não tem
esgoto: </DIV>
<DIV align=justify> </DIV>
<DIV align=justify>Dizer que os brasileiros têm, hoje, mais acesso à água
tratada e coleta de esgotos do que tinham há 10 anos, é apenas parte da verdade,
pois é necessário um tanto de cara de pau para festejar o fato de que, se há uma
década 47,3% das casas tinham saneamento básico, hoje, pouco mais da metade da
população, 55,5%, tem acesso a este serviço fundamental para a saúde e qualidade
de vida. Um número que fica dramaticamente mais preocupante nas regiões
historicamente mais exploradas. No Norte, a rede de esgotos cobre apenas, 13,9%
das casas; no Nordeste, 33,9%. O que puxa a média para cima é a situação do
Sudeste, onde a rede de esgoto atinge 81% das casas. E, quanto à qualidade da
água consumida, vale lembrar que 5,7 milhões de famílias (10%) depende
exclusivamente de poços para o consumo.<BR><BR>Milhões de casas sem banheiros:
</DIV>
<DIV align=justify> </DIV>
<DIV align=justify>Além da falta de esgotos, a desigualdade social brasileira
foi revelada por um índice ainda mais absurdo levantado pelo Censo: nada menos
do que 3,5 milhões de domicílios brasileiros (6,2% do total) não têm sequer um
único banheiro. Transformado em indicador bizarro da divisão de classes, a
contagem dos números de banheiros revelou que do "outro lado", a situação é bem
distinta: um pouco mais de três milhões de famílias vivem em casas com três
sanitários e outras 1,2 milhão têm quatro ou mais acomodações para desfazerem de
suas necessidades fisiológicas.<BR><BR>800 mil famílias vivem nas trevas: </DIV>
<DIV align=justify> </DIV>
<DIV align=justify>No país que orgulha-se de ser a "sétima potência econômica do
mundo", 728.512 famílias vivem como se estivessem em plena "Idade das Trevas",
sem qualquer tipo de acesso à energia elétrica. A situação só não é pior porque
outras 550 mil famílias (um número pra lá de subestimado) deu um "jeitinho",
fazendo "gatos" (instalações "ilegais) em suas residências.<BR><BR>14 milhões de
analfabetos: </DIV>
<DIV align=justify> </DIV>
<DIV align=justify>O número de brasileiros com 15 anos ou mais que não sabem ler
ou escrever (13,9 milhões) corresponde a 9,63% da população (em 2000 eram
13,64%). Mais uma vez, o Nordeste é a região com a pior situação (19,1%),
seguida do Norte (11,2%), do Centro-Oeste (7,2%), do Sudeste (5.5%) e do Sul
(5,1%). Na faixa dos que têm mais de 60 anos, a média nacional chega a 26,5%
<BR><BR>Crianças que dirigem famílias: </DIV>
<DIV align=justify> </DIV>
<DIV align=justify>Um dos novos e mais alarmantes indicadores levantados pelo
Censo 2010 é o número de domicílios que são "chefiados" por brasileirinhos entre
10 e 14 anos de idade. Os 132.033 domicílios encontrados nesta situação absurda
certamente são apenas uma parcela da realidade. E, desta vez, é o Sudeste que
lidera o "ranking da barbárie": na região mais rica do país, 62.320 famílias
dependem da renda de crianças. E mais: país afora, outras 661.153 famílias são
dependentes do trabalho de jovens entre 15 e 19 anos.<BR><BR><STRONG>O Brasil
que queremos e precisamos</STRONG> </DIV>
<DIV align=justify><STRONG></STRONG><BR>A existência como números como os acima,
em pleno século 21 e quando o país se vende como a 7ª potência mundial, é
sintomática do caráter de classe da sociedade brasileira. Um caráter fielmente
preservado e defendido pelo lulismo. <BR><BR>Enquanto os pobres levam décadas
para escalar míseros décimos nas estatísticas, os ricos se mantém
confortavelmente nos seus altíssimos patamares, sem precisar fazer absolutamente
nada, a não ser, evidentemente, manter os padrões de exploração e opressão de
sempre. Tudo sob a benção do PT, PCdoB e seus braços nos movimentos sindical e
popular.<BR><BR>Por isso mesmo, para reverter os números do censo é preciso
mudar a lógica da sociedade, mexer na essência de sua estrutura, algo que pode
ser feito com a revolução socialista. Esta é única forma de nos livrarmos de
tantos problemas, pormos fim à barreira que separa os "dois brasis" e criarmos
condições para que todos, absolutamente todos, tenham condições dignas de
vida.</DIV>
<DIV align=justify> </DIV>
<DIV align=justify><FONT size=3 face=Calibri></FONT> </DIV>
<DIV align=justify><FONT size=3 face=Calibri>* <FONT size=2 face=Arial>Membro da
Secretaria Nacional de Negros e Negras dos PSTU.
<HR>
</FONT></FONT></FONT></DIV></BODY></HTML>